03/08/2026
Em junho de 2026, a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, divulgou o Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 113 (RAF 113). O diagnóstico é direto. A dívida bruta do governo geral (União, estados, Distrito Federal e municípios, excluídas as empresas estatais), hoje em 80,1% do Produto Interno Bruto (PIB), pode alcançar 115% do PIB em 2036 caso nenhum ajuste estrutural seja realizado. Para estabilizar essa trajetória, o Brasil precisaria produzir um superávit primário de 2,1% do PIB ao ano, resultado que, mesmo no cenário mais otimista, não é alcançável antes de 2029. Desde 2014, o país acumula déficits primários sem interrupção.
Os números não refletem apenas uma tendência econômica. Refletem uma escolha institucional persistente, a de aprovar direitos, conceder benefícios e ampliar proteções sem demonstrar de onde virão os recursos para sustentá-los. A pergunta que o relatório coloca não é, portanto, só macroeconômica. É constitucional. Quem paga, e quando, pelas decisões legislativas que não foram obrigadas a apresentar a conta?
Criada em 2016 para aumentar a transparência das contas públicas e atuar como um “observatório” neutro e independente das finanças do governo, a IFI estima parâmetros econômicos e analisa o impacto de decisões políticas no orçamento, nas receitas, nas despesas e na dívida pública. Publica regularmente relatórios como o RAF e estudos especiais com diagnósticos técnicos e apartidários. A entidade avalia ainda se o governo está cumprindo as metas fiscais estabelecidas pela legislação. Embora vinculada ao Senado, a equipe de economistas tem autonomia para divulgar seus dados, com o objetivo de municiar os parlamentares e a sociedade com informações confiáveis e verificáveis.
*A opinião do autor desta coluna não necessariamente reflete a posição deste editorial.
Leia a coluna completa em https://zurl.co/vZRBb ou acesse o link na Bio!