Arquiteta formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Maria Sliviany está à frente do SLVY Arquitetura. O escritório desenvolve projetos de arquitetura e de interiores, na área residencial e comercial, utilizando ferramentas modernas de desenvolvimento, como o sistema BIM. Apaixonada por arte e história, possui referências de estilo clássico, contemporâneo e rústico, combinação perfeita para uma arquitetura acessível, diferenciada e artística.
“A arquitetura genderq***r busca a liberdade em forma de espaços que explorem a verdadeira identidade do usuário, sem qualquer limitação.” – Maria Sliviany
1 - Ambientes masculinos x Ambientes femininos: Uma nova configuração
O termo "Genderq***r" quer dizer gênero não-binário, ou seja, quando não há distinção entre aspectos masculinos e femininos.
É comum vermos em mostras de arquitetura ambientes intitulados como "quarto do rapaz" e "suíte da menina" e, quando entramos, nos deparamos com o óbvio. A diferença entre os sexos é explícita nas cores e materiais usados em cada ambiente. O espaço masculino é sempre representado como algo forte, sólido e robusto, com cores escuras e materiais brutos, e muitas vezes até com aromas que remetem aos perfumes para homens. Já os ambientes femininos são sempre muito delicados, frágeis e pomposos, lembrando quartos de princesa. A arquitetura genderq***r vem para desmistificar essas questões com uma nova linguagem que une o melhor de cada ambiente, ousando nas cores, formas, materiais e itens artísticos. (Acho que esta ideia nasceu há anos, quando eu era criança e brincava de boneca no meu quarto rústico com móveis de madeira escura, itens decorativos na cor azul e uma luminária estilo lampião ao lado da cama, rs.)
2 - Cor não define gênero
O segredo da arquitetura genderq***r não é neutralizar espaços, nem torná-los monótonos e sem vida. Ao contrário disso, buscamos causar diferentes sensações e trazer novas perspectivas aos clientes, buscando sempre a essência de cada um sem necessariamente seguir tendências. As cores não devem mais definir gêneros de ambientes, como comumente é definido "azul para meninos e rosa para meninas", mas sim assumirem papel sensorial e emotivo na relação psíquico-espacial. Além disso, as cores interferem na leitura do ambiente, podendo trazer sensação de amplitude, aconchego, alongamento e encurtamento, maior e menor profundidade do espaço. Quem sabe pintar seu quarto de rosa te traga muitos benefícios!
3 - A arquitetura como arte
Para mim, a arquitetura é arte, e arte é liberdade. O termo "q***r" já é conhecido em movimentos artísticos e no mundo da moda. A ideia do escritório ao propor uma arquitetura genderq***r surgiu com inspiração na moda freegender, a qual questionou as normas de gênero ao criar peças de roupas não-binárias. Acredito que assim como a moda e as diversas expressões artísticas, a arquitetura é o reflexo das questões sociais de cada época. A sociedade heteronormativa deve ficar no passado e dar espaço à diversidade de gênero e suas diferentes expressões.
4 - Identidade e liberdade de expressão
Podemos dizer que a identidade é um conjunto de características próprias que formam algo único, exclusivo, inusitado, ousado. Os projetos genderq***r buscam a verdadeira identidade do usuário sem padronização e estereótipos, seguindo a linha de uma arquitetura experimental com fusão de cores, estilos e formas. A linguagem de cada espaço remete à história, costumes, gostos e vivências de uma pessoa. A diversidade de gênero, sexual, econômica e social é real e devemos considerar isso. Vivemos a arquitetura o tempo todo, vamos a lugares diferentes todos os dias. Então por que padronizar? Falamos tanto sobre rotulação de pessoas na sociedade, mas continuamos aplicando isso na arquitetura.