31/07/2026
Gaetano Pesce defendia que a imperfeição e o caráter artesanal refletem a essência humana, rejeitando a frieza da padronização industrial. O artista italiano via o design como uma ferramenta expressiva e política: cada objeto, ao sair da oficina, torna-se público e ganha capacidade de falar sobre quem somos, o que valorizamos e como queremos viver.
Na era da IA, essa visão f**a ainda mais urgente. Quanto mais artificial o mundo se torna, mais humanas as marcas precisam ser. A inteligência artificial nos deu escala e eficiência, mas também criou uma “pasteurização” de vozes e narrativas; em meio a tanto conteúdo perfeito, o público busca verdade, coerência e presença. Aquilo que nos referimos como "ter o molho".Tanto que 71% dos consumidores abandonam marcas que soam artificiais ou descoladas da realidade, e 32% passam a confiar menos ao descobrir que um conteúdo foi feito com IA.
É nesse contexto que o “feito à mão” ou, no caso de serviços, o “feito com curadoria humana” vira ativo estratégico. A economia criativa com foco em handmade já movimenta mais de US$ 1 trilhão no mundo, e 68% dos compradores preferem itens com algum nível de personalização. Para o branding, a lição é clara: use a IA como amplif**adora de capacidade, não como substituta de ponto de vista. Olhe pros lados, colete referências reais e completamente distintas. O que vai diferenciar sua marca não é quanto conteúdo você gera, mas o quanto de verdade, memória e sensibilidade você coloca neles.