08/17/2026
Existe uma distância silenciosa entre sofrer racismo e conseguir denunciar.
Ela é feita de deslocamento, horário de expediente, medo de não ser levado a sério e da simples dúvida sobre onde ir. Muita coisa acontece e nunca chega ao Estado. E o que não chega, não vira política pública.
A Zuri foi criada para encurtar essa distância.
É a assistente virtual da SEPROMI — Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia — integrada ao WhatsApp do Centro de Referência em Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela.
Por ela, vítimas e testemunhas registram denúncias de racismo e intolerância religiosa, recebem orientação e são encaminhadas aos serviços da rede de proteção. Do celular. De onde estiverem. Inclusive de municípios distantes dos grandes centros de atendimento.
A Zuri foi desenvolvida pela Produs Soluções em TI sobre a plataforma 4biz.
E é aqui que o case f**a interessante para quem é de tecnologia: a arquitetura é a mesma de qualquer operação de atendimento madura — canal único, registro estruturado, histórico completo, encaminhamento com responsável definido, acompanhamento até o desfecho. O que muda não é a engenharia. É o que trafega dentro dela.
Tecnologia não resolve racismo. Mas pode garantir que cada denúncia seja registrada, rastreada e respondida e isso é a base de qualquer política pública que funcione.